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París con una fundinho Londres

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Avôhai - Zé Ramalho

Composição: Zé Ramalho

Um velho cruza a soleira

De botas longas, de barbas longas

De ouro o brilho do seu colar

Na laje fria onde quarava

Sua camisa e seu alforje

De caçador...



Oh! Meu velho e Invisível

Avôhai!

Oh! Meu velho e Indivisível

Avôhai!



Neblina turva e brilhante

Em meu cérebro coágulos de sol

Amanita matutina

E que transparente cortina

Ao meu redor...



E se eu disser

Que é meio sabido

Você diz que é bem pior

E pior do que planeta

Quando perde o girassol...



É o terço de brilhante

Nos dedos de minha avó

E nunca mais eu tive medo

Da porteira

Nem também da companheira

Que nunca dormia só...



Avôhai!

Avô e Pai

Avôhai!



O brejo cruza a poeira

De fato existe

Um tom mais leve

Na palidez desse pessoal

Pares de olhos tão profundos

Que amargam as pessoas

Que fitar...



Mas que devem sua vida

Sua alma na altura que mandar

São os olhos, são as asas

Cabelos de Avôhai...



Na pedra de turmalina

E no terreiro da usina

Eu me criei

Voava de madrugada

E na cratera condenada

Eu me calei

Se eu calei foi de tristeza

Você cala por calar

E calado vai ficando

Só fala quando eu mandar...



Rebuscando a consciência

Com medo de viajar

Até o meio da cabeça do cometa

Girando na carrapeta

No jogo de improvisar

Entrecortando

Eu sigo dentro a linha reta

Eu tenho a palavra certa

Prá doutor não reclamar...



Avôhai! Avôhai!

Avôhai! Avôhai!

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